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RHUM 350

Publicado: 13 mayo 2009 de formasdifusasdbate en Joao Rios, Poesía

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e se me desses um tiro numa sala de espelhos
sem a dama de xangai e com o orson welles sentado a um canto
despindo a sua máscara
e se aspirasses o fumo necrófilo de um cigarro do bogart
no casablanca
mas contigo a bergman não aparece e muito menos o chato
do marido dela
aliás todos juntos nessa noite
e se o pássaro for acossado não matará concerteza o polícia
como fez o belmondo com instruções do godard
num filme francês a preto e branco
e se encontrares a orelha cortada do van gogh
eu compro-a e devolvo-a a seu dono
para honra e sereníssima glória do seu legítimo ccadáver
e se falar com mozart para perdoar salieri o medíocre
e todos os outros por crimes menos graves
e se porventura tiver escrito este poema com a voz de deus
não me encoleirem a vida não me enjaulem a alma
não me enterrem numa vala comum
e muito menos me atirem cal sobre a mortalha

in, no fogo dos outros

cançoneta de ser dom da natureza

Publicado: 6 abril 2009 de formasdifusasdbate en Joao Rios, Poesía

os roupetas negras
como lhes chamavam
lá na amazónia os índios
foram-se chegando de mansinho
e quando seu arraial já tinham
montado
censuraram-lhes a preguiça
e os índios sentaram-se
nas árvores
porque era ali mais difícil
alcançá-los a corda
dos homens do sino

quando já três luas tinham
cruzado o tempo do desatino
os maliciosos roupetas
enviaram-lhes aviões de papel
com imagens de santos
mui austeros e vestidos
mas como os índios
tendo fumado seus cachimbos
mais exibiam suas vergonhas
e os olhavam com riso de onça
de novo os roupetas
se passaram das barbas
e desataram as velas dos missais
e se encapelaram em ciclónicas
ondas e volteios as madeiras
do crucifixo

como a terra não temeu
nem enlouqueceram as piranhas do rio
os índios esperaram o bafo da escuridão
e caminharam mais para o âmago
de ser dom da natureza

Poema

Publicado: 6 abril 2009 de formasdifusasdbate en Joao Rios, Poesía

apressavam os verbos as mulheres sentadas mudando a natureza
escondiam os homens obscurecendo os lugares e mergulhavam
para a usura dos dedos absorvendo a música de um dévio rumor
de erecção   revolvendo águas  aclarando-se em golpes alçavam
as suas guelras e guiavam os nomes mais para dentro dos demónios
de um amor sem salvação    um amor ocupado por estreitas redes de
entenebrecer

in, o ópio da tempestade